Trago aqui um dos milhares de estudos científicos que comprovam a importância do autoconhecimento para desenvolver a Inteligência Emocional:
A pediatra Villeneuve (2015) menciona em seu artigo uma nova “vacina”, a do autoconhecimento através da neurociência, inteligência emocional e atenção plena. Afirma que um alto número de pacientes chegam ao consultório com problemas de origem emocional, psicossocial. E que muitas vezes os pediatras não possuem conhecimento suficiente para estes casos. O artigo apresenta o resultado de um workshop de mindfulness com um grupo de 12 crianças entre 6 e 11 anos e seus pais, onde foram realizadas 16 sessões/encontros no total, sendo que cada encontro era dividido em parte teórica e parte prática. A prática era composta por exercícios de ioga para sentir e ouvir o corpo, jogos de atenção, contação de histórias, resolução criativa de conflitos, exercícios de compaixão, educação emocional, atividades que trabalham o emocional, meditações guiadas com foco na respiração, corpo e sons, e atividades lúdicas para ensinar uma atenção plena / maior consciência nas rotinas como comer, caminhar, escovar os dentes. No resultado tanto os pais, quanto as crianças relataram estarem mais conscientes de sua “mente de macaco”, que é a mente distraída no mundo dos pensamentos, lembrando do passado ou planejando o futuro, remoendo ideias obsessivas, julgando, rotulando. E com esta consciência somadas ao entendimento de que possuem uma mente e da importância de de serem donos dela, eles relataram estarem mais capazes de trazê-la ao presente, que é o estado de presença que proporciona aproveitar mais cada momento. Eles também perceberam melhoras no tratamento da ansiedade, impulsividade e raiva por meio da respiração, e principalmente de conseguirem parar a tempo de não agir impulsivamente, quando antes eram dominados pela emoção e perdiam o controle. Também houveram resultados positivos no controle da dor através do uso da respiração, canto das emoções e visualização. Villeneuve afirma que o profissional da saúde, neste caso o pediatra, deve primeiramente buscar a formação, justificando que:
“A atenção plena não é uma técnica e sim uma atitude, uma forma de ser e estar na vida, portanto este primeiro passo é essencial. Este trabalho serve não só para ajudar os pacientes, mas também para o bem estar do pediatra e para melhorar a relação médicopaciente, pois a prática do mindfulness envolve uma atitude de aceitação, curiosidade e uma mente de iniciante que permite ver o paciente como se fosse a primeira vez, sem carga emocional, sem julgamento e sem rótulos.”
Daqui se entende a importância dos pais se trabahar, que as crianças aprendem com o que veem em casa, através da imitação, então se os pais mudarem sua forma de interpretar a vida, mudarão suas atitudes e as crianças também mudarão. Mindfulness com as crianças é super indicado, e melhor ainda, se fizer a família toda.
Desenvolver a Inteligência Emocional também tem como objetivo aumentar o bem estar, os níveis de felicidade das pessoas. Temos o poder de escolher como podemos nos sentir com os acontecimentos da vida, devemos aprender a nos aceitar como somos, com nossas fraquezas e dons, e buscar dentro o que falta para ser feliz, em vez de olhar pra fora. Somos seres sociais, precisamos uns dos outros para nos desenvolver, crescer, aprender, compartilhar. Mas para ser feliz é importante conhecer a inteligência inata, o auto conhecimento, o que faz bem e com facilidade, o que dá prazer e satisfação. Dedicar tempo para essa busca e capacitação. Isso traz a satisfação, sentimento de abundância e a necessidade de compartilhar com os outros o “presente” que carregamos dentro de nós. Competitividade e comparações não são necessárias, pois não é preciso ser melhor que ninguém, e sim ser o seu melhor. Uma forma de transmitir esse conhecimento é por meio da prática da atenção plena ou mindfulness.